Fresneau Alfaiate. Luiz Sebastião Fresneau. A la Ville de Pariz. Hotel Du Commerce et Restaurant

rua direita, 15 (1854)
rua do rozário, 18 (1857)
rua rozario, 49 (1858)
rua rozario, 18 (1862 – 1864)
rua rosario, 32 (1866)

Fresneau publica anúncio sobre seus serviços, em 1854:

“Fresneau

ALFAIATE

Já bem conhecido nesta capital participa ao publico e aos seus antigos freguezes, que acha-se estabelecido na Rua Direita, 15, onde espera continuar a merecer a mesma confiança que outr’ora, se persuade adquiriu das pessoas que o honrarão com sua freguezia, por quanto trabalhará com a mesma promptidão, bom gosto, e preços commodos, que sempre teve em suas obras.”

[CORREIO PAULISTANO, n.147, 20 Dez. 1854.] [CORREIO PAULISTANO, n.150, 23 Abr. 1854.]

TEXTO COMPLETO: http://www.moyarte.com.br/centro-de-sao-paulo/verbetes/F/fresneau-alfaiate.html

Publicidade

A Cidade de Londres. A La Ville de Londres.

rua são bento, 33-a (1921)
praça antônio prado (1922)
rua de são bento, 78 (1926)

Márcia Padilha, em seu livro “A cidade como espetáculo: publicidade e vida urbana na São Paulo dos anos 20“, discorre sobre como a atividade comercial representava uma forma de ascensão social para os imigrantes: os comerciantes mais abastados, alguns com suas mansões construídas na Avenida Paulista, passavam a integrar a elite paulistana.

Tal ascensão social era reforçada nas revistas, com a publicação de anúncios de seus estabelecimentos, muitas vezes em formatos de reportagens que divulgavam não somente o estabelecimento, como os nomes de seus proprietários:

“Esses anúncios tomavam a forma de reportagens feitas pelas revistas – que faziam aas vezes de um guia pela cidade – a convite das próprias lojas. Tratava-se de uma associação na qual os comerciantes entravam com sua força de anunciante e as revistas com sua força de veículo.”

[PADILHA, Marcia. A cidade como espetáculo: publicidade e vida urbana na São Paulo dos anos 20. São Paulo: Annablume, 2001, p.68.]

TEXTO COMPLETO: http://www.moyarte.com.br/centro-de-sao-paulo/verbetes/A/a-cidade-de-londres.html

Manoel Caetano de Abreu Junior – Manoel Caetano d’Abreu Junior

O nome de Manoel Caetano de Abreu Junior apareceu em anúncio no Farol Paulistano de 1831, comercializando livros.

Segundo o periódico Revista Commercial (de Santos)de 1850, Manoel Caetano possuía uma loja na Rua do Rosário, n.4:

“Suplemento. 
Annuncios.
Sahio a Luz e acha-se a venda em São Paulo, na loja do Sr. Manoel Caetano de Abreu Junior, rua do Rosário n.4, uma obra intitulada Instrucções para os Juizes Municipaes segunda de Elementos do Processo Civil.

TEXTO COMPLETO: http://www.moyarte.com.br/centro-de-sao-paulo/verbetes/A/abreu-junior-manoel-caetano-de.html

Henrique Ablas

Filho de Carlos Ablas, segundo as pesquisas de Silvia Siriani, exerceu durante anos a função de tradutor para os engenheiros, mestres-de-obras e pedreiros alemães contratados pela Inspetoria de Obras Públicas.

Nos arquivos da Assembléia Legislativa de São Paulo, referente a legislação de 1873, são mencionados os nomes de Henrique Ablas e Jacob Emmerick. Não há maiores detalhes se este “Henrique Ablas” é o filho de Carlos Ablas, porém, na publicação de uma nota sobre o falecimento de Carlos Ablas (1869), é mencionado como membro da família “Catharina (ou Catherina) Emerich Ablas” e segundo Ricardo Evaristo dos Santos e Paulo Matos, Jacob e Henrique eram sogro e genro, assim sendo, é provável que trata-se do filho de Carlos Ablas….

TEXTO COMPLETO: http://www.moyarte.com.br/centro-de-sao-paulo/verbetes/A/ablas-henrique.html

Carlos Ablas

Imigrante alemão, chegou ao Brasil em 1827, possuía terras em Santo Amaro e imóveis na Freguesia de Santa Ifigênia (século XIX).

Segundo as pesquisas de Siriani, a família Ablas foi uma das que conquistaram bens acima dos 10:000$000, tornando-se uma das grandes proprietárias na região de Santo Amaro:

“A propriedade do alemão deve ter meia milha quadrada. Grande parte dela é pastagem em estado natural, onde tanto mais prospera excelente criação de gado porque um pequeno rio de excelente água potável atravessa, murmurando, o campo com inesgotável abundância. O que desperta especial interesse é o pomar, a plantação propriamente dita […]. Nesta plantação forma um grande campo o arbusto do chá, pois, em toda a região de São Paulo o cultivam extraordinariamente.”

[Relato de Robert Avé-Lallemant, em 1858. In: SIRIANI, Silvia Cristina Lambert. Uma São Paulo Alemã: vida quotidiana dos imigrantes germânicos na Região da Capital (1827-1889). São Paulo: Imesp, 2003, p.64-65.]

Siriani também destaca em sua pesquisa que a diversificação da produção da família Ablas foi um fator importante, contribuindo para ascenção social da família e para a consolidação de sua fortuna, porém, tais observações foram baseadas nos depoimentos encontrados, pois, a pesquisadora não localizou o inventário de Carlos Ablas e família, o que dificultou a verificação do valor dos bens adquiridos – mais detalhes sobre sua propriedade em Santo Amaro, leia em: SIRIANI, Silvia Cristina Lambert. Uma São Paulo Alemã: vida quotidiana dos imigrantes germânicos na Região da Capital (1827-1889). São Paulo: Imesp, 2003, p.64-65.

Carlos Ablas era pai de Henrique Ablas, que durante anos exerceu o cargo de tradutor para os engenheiros, mestre de obras e pedreiros alemães contratados pela Inspetoria de Obras Públicas. A função exercida “contribuiu para que o nome da família se tornasse respeitado entre os membros da comunidade alemã da região da capital” [SIRIANI, 2003, p.65] paulista.

Em 1854, a propriedade de Carlos Ablas foi mencionado no Expediente da Presidência, de 29 de setembro de 1854 – área conhecida como Rio das Pedras:

“Autoriso (sic) a Vmc. para abrir a picada, de que tratta no officio de 26 do corrente, afim (sic) de se averiguar bem se convém mudar a estrada de Santos para a capital, na paragem – rio das pedras – por detraz (sic) da casa de Carlos Ablas a sahir na antiga em um atalho em que se devidem (sic) as agoas (sic) do dito rio e do pequeno, ou por algum outro local mais apropriado…”

[Correio Paulistano, n. 82, 2 de abril de 1854.]

No Expediente da Presidência, de 10 de março de 1855, o nome de Carlos Ablas é mencionado no relato de prisão, por suspeita de assassinato:

“Dia 7

Foi no dia antecedente recolhido, em custodia, à cadêa da capital, o allemão Carlos Ablas, morador no Rio das Pedras, por suspeita acerca do assassinato de um individuo, por ora desconhecido, cujo esqueleto foi encontrado sepultado em um capão em terras pertencentes ao mesmo Carlos. Procedem-se as necessarias averiguações. “

[Correio Paulistano, n. 212, 16 de março de 1855.]

E no dia 13 de março de 1855:

“Foi posto em liberdade o allemão Carlos Ablas por ter o Dr. chefe de polícia julgado improcedente o exame feito nos ossos do esqueleto humano, que foi achado enterrado nas terras do dito allemão em o lugar denominado – Rio das pedras.”

[Correio Paulistano, n. 218,1855.]

Meses depois, de acordo com o Expediente da Presidencia, de 16 de novembro de 1855:

“Dia 19

[…]

Ao tenente Ignacio Joaquim da Silva – Tendo resolvido por acto da presente data declarar de utilidade publica a desappropriação do uso da casa de Carlos Ablas, sito no Rio das Pedras, para servir de quartel do destacamento encarregado de manter o cordão sanitario, que deliberei estabelecer no alto da serra da Maioridade, e mandar tomar posse desde já do uso da mesma casa, attenta a urgente necessidade, nos termos dos arts. 1o. $4o., e 8o. da lei de 9 de setembro de 1826, e 35 da lei n.353 de 12 de julho de 1845, ordeno a Vmc. que, apresentando a inclusa portaria ao referido Carlos Ablas, tome posse do uso da casa.

Comunicou-se a Carlos Ablas.”

[Correio Paulistano, n.340, 23 de novembro de 1855.]

Sobre o ressarcimento relacionado à desapropriação, foi publicado no Expediente da Presidencia, de 23 de janeiro de 1856:

“Dia 24

(…)

Ao procurrdor (sic) fiscal da fazenda geral. Communico a Vmc., em resposta ao officio de 22 do corrente, que a casa da Carlos Ablas esteve occupada desde o dia 20 de novembro até 19 de dezembro. Conviria sem duvida, afim (sic) de evitar despezas (sic) inuteis com o processo, que Vmc. se entendesse com aquelle proprietario acerca do aluguel da casa durante o mez (sic), afim do se lhe pagar a quantia convencionada.”

[Correio Paulistano, n.360, 1 de fevereiro de 1856.]

Através das informações de falecimentos por causa de “bexigas” na freguesia de Santa Efigênia, entre 17 de abril e 31 de julho de 1858, surge outra informação sobre Carlos Ablas, a de que o alemão era proprietário de uma escrava chamada Margarida, que faleceu em 29 de julho de 1858 [Correio Paulistano, n.730, 20 de agosto de 1858].

O nome do imigrante alemõ também aparece em um anúncio de 1864:

“TOUCINHO E CARNE DE PORCO

De hoje em diante encontrar-se-ha nos açougues da rua das Casinhas (2), rua da Cruz Preta (1), rua do Rosario (1), carne de porco e toucinho superior a 120 rs. a libra.

S.Paulo, 13 de Dezembro de 1864

Candido Silva
João Cujo
Adão Pedro
Carlos Ablas”

[Correio Paulistano, n.2570, 16 de dezembro de 1864]

Em 1866, Carlos Ablas passou a ser o curador do órfão Jacob Kumpell – descrito como “soffrendo de alienação mental” [Correio Paulistano, n.2940, 16 de março de 1866]. E no ano seguinte (1867), Ablas, foi multado por não retirar um formigueiro na frente de sua propriedade, que estava prejudicando os vizinhos [Correio Paulistano, n.3449, 28 de novembro de 1867].

[Correio Paulistano, n.2940, 16 e março de 1866]

Em março de 1866, na seção “Despachos” do Diário de S.Paulo, referente ao dia 17 de março, foi publicado “Carlos Ablas – Mostre por attestado do parocho a pobreza alegada“, porém, sem maiores detalhes sobre as razões da solicitação [Diário de S.Paulo, n.184, de 18 de março de 1866], com base nas datas, uma das hipóteses é que esteja relacionada com o órfão Jacob Kumpell.

No final de fevereiro de 1869, Carlos Ablas foi um dos moradores de São Paulo que contribui para os custos dos funerais de Joaquim Pereira da Silva Avellar. [Correio Paulistano, n.3815, 3 de março de 1869]

Carlos Ablas foi sepultado em 29 de setembro de 1869, segundo nota publicada no Diário de S.Paulo, tinha 62 anos de idade, era natural da Prússia e a causa de sua morte foi “hydropisia” [Diário de S.Paulo, n.1221, de 30 de setembro de 1869]. Através da nota sobre seu falecimento, foram mencionados os nomes de outros membros da família Ablas: Margarida Ablas (provavelmente, a esposa), Henrique Ablas (filho), Carlos Ablas Junior (filho), Jacob Ablas, Francisco Emygllo (?) Ablas, Catharina Ablas, Julia Ablas de Oliveira, Philipina Thereza Ablas, Izabel Ablas, Joaquim Dias de Oliveira (com base no sobrenome, provavelmente genro e casado com Julia Ablas de Oliveira), Henrique Clauza, Carolina Del Ablas, Catharina (ou Catherina) Emerich Ablas (provavelmente, nora), Margaria Knipel (?) Ablas, Henrique Knipel (?).

[Correio Paulistano, n.3985, 2 de outunro de 1869]

referências bibliográficas

Correio Paulistano, n. 82, 2 Abr. 1854.

Correio Paulistano, n. 212, 16 Mar. 1855.

Correio Paulistano, n. 218, 1855. (entre 23 e 25 Mar.)

Correio Paulistano, n. 340, 23 Nov. 1855.

Correio Paulistano, n. 360, 1 Fev. 1856.

Correio Paulistano, n. 730, 20 Ago. 1858.

Correio Paulistano, n. 2.570, 16 Dez. 1864.

Correio Paulistano, n. 2.940, 16 Mar. 1866.

Correio Paulistano, n. 3.449, 28 Nov 1867.

Correio Paulistano, n. 3.815, 3 Mar. 1869.

Diário de S.Paulo, n. 184, 18 Mar. 1866.

Diário de S.Paulo, n. 1.221, 30 Set. 1869.

SIRIANI, Silvia Cristina Lambert. Uma São Paulo Alemã: vida quotidiana dos imigrantes germânicos na Região da Capital (1827-1889). São Paulo: Imesp, 2003.

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